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26 de março de 2026

Como um Engenheiro de Software Encontrou seu Caminho na Era da IA

AI AgentsLangChainCareerPersonal

Em 2014, no último ano da faculdade de Sistemas de Informação, tive uma aula sobre redes neurais. Dendritos, pesos, camadas. Consegui entender a lógica por trás da estrutura, mas a matemática ficou no ar. Na prática, aquilo parecia distante de qualquer coisa que eu fosse usar no trabalho. O discurso era sempre o mesmo: um dia isso vai ser relevante.

O primeiro contato real

Oito anos depois, em 2022, o GitHub Copilot apareceu. Foi a primeira vez que eu senti a inteligência artificial fazendo parte do meu trabalho de verdade. Um autocomplete que escrevia funções inteiras, sugeria classes, economizava um tempo absurdo em tarefas repetitivas. Mudou meu dia a dia como desenvolvedor.

Logo depois veio o ChatGPT. Virou meu assistente pra tudo: tirar dúvidas de arquitetura, revisar código, rascunhar documentação. Até pra coisas fora do trabalho.

Depois vieram os Code Agents. Testei o Windsurf, passei pelo Cursor, mas foi com o Claude Code que a ficha caiu. Ali eu entendi o que estava por vir.

Algo me fisgou

No começo, quando os modelos de linguagem começaram a ganhar espaço, eu tinha curiosidade, mas não o bastante pra mergulhar de cabeça. Isso mudou quando eu vi que esses modelos conseguiam usar ferramentas, se conectar com sistemas externos, tomar decisões com base em contexto. Algo ali me prendeu. Percebi que precisava entender aquilo a fundo.

Foi um caminho bem autodidata. Hoje os materiais estão mais acessíveis, mas naquela época não tinha muita coisa organizada. Comecei pelo YouTube, que já conhecia o meu perfil e vivia sugerindo vídeos sobre agentes, automações, IA aplicada. Ali tive os primeiros contatos técnicos com o assunto.

E confesso que no início eu achava que a IA resolvia tudo sozinha. Conectava num banco de dados e pronto, ela já entendia, organizava, respondia. Quanto menos você sabe de um assunto, mais mágico ele parece. Junto veio a ansiedade. Todo mundo nas redes falando que era a hora de virar a chave, criar empresa, ganhar dinheiro. A pressão era real.

Do no-code ao código

Nesse período, peguei um projeto de consultoria pra automatizar o atendimento de uma empresa usando N8N integrado com WhatsApp. O protótipo funcionou, mas manter aquilo no dia a dia era penoso. Monitorar, evoluir, corrigir problemas dentro de uma ferramenta visual dava mais trabalho do que simplesmente escrever código. Pra quem é desenvolvedor, parecia um contrassenso.

Estudando o N8N, descobri que ele era construído em cima do LangChain. E foi aí que o caminho ficou claro: se a ferramenta que eu já usava era baseada nessa biblioteca, fazia sentido ir direto na fonte.

Mergulhei na documentação, que na época não era das mais amigáveis. Fuçava repositórios no GitHub, tentava entender exemplos por conta própria, fazia engenharia reversa. Quando lançaram um curso introdutório na plataforma deles, fiz na hora. Aí as coisas começaram a se encaixar.

Resultados reais

Com essa base, propus migrar aquele projeto de N8N pra código usando LangChain. A diferença foi gritante. O controle sobre o comportamento dos agentes melhorou muito, os erros diminuíram e o sistema ficou mais fácil de evoluir.

Depois veio outro projeto, dessa vez focado em qualificação de leads com outra empresa. E depois outro. E mais outro. Cada entrega é uma oportunidade de refinar as técnicas, entender melhor os limites e descobrir novas possibilidades.

Onde estou agora

Hoje o LangChain é a minha principal ferramenta pra construir agentes de IA. O ecossistema evoluiu muito e oferece uma base sólida pra desenvolver soluções de verdade, com diversas técnicas de engenharia de IA já prontas pra uso, sem te prender a nenhum modelo ou provedor específico. Trabalho com Python e me sinto cada vez mais confortável nesse universo.

Estou no mercado desde 2012. Passei anos construindo sistemas, cuidando de arquitetura, pensando em produto, garantindo que as coisas funcionassem de verdade em produção. Esse olhar não mudou. O que mudou foi o foco. Hoje a engenharia de IA é o que move tudo pra mim. É onde estou colocando toda a minha energia, onde quero me aprofundar cada vez mais. E o mais interessante é que tudo o que aprendi nesses anos como engenheiro de software não ficou pra trás. Pelo contrário, é a base de tudo. Porque no fim das contas, você continua fazendo software. E as possibilidades do que dá pra construir agora são enormes.